quarta-feira, 12 de março de 2014

HC Faculdade de Medicina USP de Ribeirão Preto

Desabafo


Nunca mais volto ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto se depender de mim.

Buscando alternativas de tratamento para miastenia gravis, fui até lá ontem. Primeira e última vez.

Tinha acordado à 4:00 horas para chegar a tempo na consulta marcada para às 7:30. Não moro em Ribeirão Preto. Quando voltei para casa, já eram 20:00 horas.

Fiquei o dia todo em jejum e sem beber água, esperando a consulta. Cheguei às 7:40. Os médicos não começaram a atender no horário marcado, mas bem depois.

Fui atendida 12:00. Depois da consulta, tive que andar pelo enorme hospital, despachando os pedidos de exame.

hc ribeirão preto
HC Faculdade de Medicina
Eu tenho miastenia, não dá para ficar andando por grandes espaços desconhecidos, cheios de gente, para despachar papéis.

O paciente tem que ajudar na funcionamento do hospital? Ser "voluntário" para despachar os pedidos de exame dos médicos? Claro que não. Faltam funcionários nesse hospital - e em vários outros também.

Para realizar os exames, eu deveria voltar em outro dia. Um dos exames, inclusive, não seria feito no HC, mas em um laboratório particular que presta serviço ao hospital - nem sei aonde fica. Aliás, nem conheço a cidade. Além do mais, já realizei os principais exames na cidade que resido. Refazê-los em outra cidade seria muito atribulado para mim.

Ao "passear" pelo HC de Ribeirão Preto, pude observar a falta de limpeza adequada. Tal ambiente pode transmitir doenças. 

Muito desorganizado o atendimento. Sem saber quando seria atendida nem pude ir ao banheiro ou alimentar-me. Sai de lá 15:30.

hostpital das clínicas ribeirão preto miastenia gravis
No hospital, 90% do tempo, fiquei esperando ser atendida
Lugar horrível.

No hospital, troca-se de médicos todos os anos, porque são estudantes de medicina finalizando curso. As pessoas pobres, que são os usuários do HC de Ribeirão Preto, são usadas como cobaias.

Por todos os lugares que caminhei no hospital, havia um mesmo cartaz sobre "Termo de Consentimento". O paciente deveria assinar o termo de consentimento, se fosse submetido a tratamentos que podem causar danos a saúde e até piorar o quadro da pessoa doente. Com esse consentimento, o hospital e os médicos estão protegidos de processos.

Evidente que nenhum paciente é obrigado a assinar ou se submeter aos tratamentos oferecidos. Porém, muitas pessoas, simplesmente, confiam que poderão ter chances boas de melhorar. Porém, agir assim não é prudente. Podem piorar, tornando-se dependentes de drogas fortes pelo resto da vida, por exemplo. Muitos não são capazes de ponderar os riscos reais - excelentes cobaias.

hospital das clínicas ribeirão preto
O ensino e pesquisa são do tipo "reprodutor": faça o que já foi feito
Se eu não tenho dores, se não estou em um grave quadro, por que deveria tomar corticóides por recomendação médica do HC de Ribeirão Preto?

A miastenia gravis não tem cura com ou sem tratamento.

Corticóides são extremamente agressivos ao organismo. Quase equiparáveis a quimioterapia. Entretanto, fazem parte, oficialmente, do "tratamento" de miastenia gravis no sistema de saúde do país.

No meu caso, felizmente, não tenho dores. A miastenia não afeta a minha respiração. Meu quadro não é grave. Embora seja incomodo lidar com a dificuldade de andar e subir degraus de escadas ou de ônibus.

Buscando acesso a uma medicina mais avançada,  inovadora, sintonizada com as mais recentes pesquisas, eu fui até o HC de Ribeirão Preto. Entretanto, deparei-me com o "mesmo de sempre", nada acrescentar de bom. Havia superestimado o HC Faculdade de Medicina.

No meu caso, usar bengala, alimentar-me com cacau, ingerir vitaminas como ferro e B12, realizar atividades de alongamento para o corpo melhoram muito minha qualidade de vida. Digo isso por experiência própria. Consigo levar uma vida normal. São alternativas simples que encontrei e que são, sem dúvida, melhores do que ingerir corticóides.

Quanto ao problema de me deslocar, realmente, os ônibus não são acessíveis a pessoas com dificuldades semelhantes as minhas. Mas com corticóides ou sem corticóides, muitos miastênicos continuarão a precisar de transporte com acessibilidade. Por isso, não vou usar essa porcaria de droga. Também não irei usar imunossupressores que são recomendados para o "tratamento" da miastenia gravis.
miastenia gravis
O Governo que ofereça acessibilidade nos transportes públicos e nos outros pontos importantes das cidades. É um dever de Estado.

De minha parte, estou para consultar um defensor público a fim que minhas necessidades especiais de transporte sejam atendidas de acordo com a legislação.

A burocracia, para ter acesso a consultas médicas e exames, está contrária a promoção da saúde e bem estar da população. É comum esperar 6 meses ou mais tempo para consultar ao médico.

A medicina se curvou demais para a indústria farmacêutica. Promove danos a saúde seja com o uso de drogas perigosas ao organismo e pela lentidão ao acesso as consultas médicas. 

A medicina atual tende muito mais a propiciar quadros de doenças crônicas em vez de evitar essa situação ao máximo. Devolver a saúde não é lucrativo, pois encerra o consumo de medicamentos, uso de parafernálias médicas, viagens para hospitais de outros locais com fins de tratamento, etc.

A questão não é o fato de serem hospitais públicos, mas a capitalização do sistema de saúde.

Os hospitais particulares, quando não oferecem a mesma estrutura deficiente dos públicos, frequentemente, podem ser ainda pior: vendendo a ilusão de um serviço de saúde exemplar.

Depoimento de Paulo Fernando:

Por fim, realmente, fiquei decepcionada com o HC USP de Ribeirão Preto.

Decepcionada com o que o hospitais, em geral, podem oferecer as pessoas doentes.

Nunca mais volto ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. 

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