domingo, 3 de abril de 2016

Sinais de Tortura no Meu Corpo

Percebo que, aos 34 anos, a idade realmente "bateu". 


Embora eu tenha sentido uma maior disposição e ter restabelecido vários aspectos de minha saúde - perda do excesso de peso, regularização do ciclo menstrual, melhora da condição da pele, recuperação da infecção do ouvido (não melhorou com nenhum dos 4 antibióticos tomados ano passado), sequer tive uma gripezinha nesses 7 meses de prática do jejum higienista e da adoção do crudivorismo.


Da linha vegetariana crudívora, estou adotando a Alimentação Viva - considero bem completa, comemos o ciclo todo do vegetal e muito mais - germinado, broto, folhas, frutos (incluindo as castanhas), fermentados (alimentação probiótica), cogumelos como shitake, shimeji (não são vegetais, são fungos comestíveis).


Agora em abril, farei exames de sangue diversos para analisar como estão as minhas taxas.


Mas, enfim, embora tenha sentido um grande ganho, adotando o crudivorismo e o jejum a base de água, mas sinto que aos 34 anos a idade está "pesando".

Em termos teóricos, fisiologicamente, não é esperado que um ser humano esteja velho aos 34 anos.


A nossa fisiologia, longe da alimentação industrial (com muita carne, laticínios, refinados e agrotóxicos), longe dos farmárcos (que apenas amenizam sintomas, mas não atingem a causa do problema), longe da vida sedentária (que faz parte da nossa cultura urbana atual, onde pouco se anda a pé), o ser humano poderia atingir um estado de velhice real beirando aos 90 anos e com boa expectativa de viver mais. Há muitos animais grandes como nós que são assim, como o jabuti e a baleia azul.


Infelizmente, para esses animais também vale o impacto industrial que contamina com toxinas o ambiente: a água, a terra e o ar.


Um grande dano que recebi, antes de me tornar vegana, foi a doença autoimune, miastenia gravis - o sistema imunológico ataca células do próprio corpo que, neste caso, atrapalha os movimentos físicos voluntários como andar e falar, entre outros.


Eu adquiri esse problema aos 16 anos. Aos 28 anos, aderi ao Veganismo e minha alimentação se tornou 100% vegetariana (sem nenhum derivado animal).


Aquilo que a miastenia gravis tinha atingido até os meus 27 anos, percebo que não será recuperado.


É como se, por exemplo no trânsito brasileiro, antes "usasse moto, caindo com frequência", depois de anos eu mudasse, adotando um transporte muito mais seguro como o metrô. Aquilo que teria perdido nos acidentes de moto, bem pouco retomaria. Porém, novos danos do tipo seriam evitados, adotando o metrô para me deslocar na cidade.  


Então, aquilo que a miastenia tomou até os meus 27 anos - até onde atingiu no meu corpo - bem pouco poderei recuperar. Desde, então, a miastenia parou de evoluir, mas tenho que lidar com os danos.

Penso que não sentiria a idade pesar aos 34 anos, se não tivesse a miastenia.


Esse problema me limita bastante. Tenho dificuldades para sair de casa (dificuldades para andar), dificuldades de comunicar verbalmente (atinge a fala), dificuldade de realizar atividade física - a miastenia se ativa ao exercitar e melhora com o repouso. Realizar atividade física, atualmente, limita-se há algumas vezes ao mês.


A comida industrial trouxe um outro problema. Devido ao efeito "sanfona" do consumo de alimentos hipercalóricos, parte da pele das coxas ficou flácida e com estrias.


Então, trago alguns sinais da tortura no corpo por ser submetida, desde a infância, há uma cultura sedentária, exposta a agrotóxicos e outros inumeráveis tóxicos como os plásticos - existe um componente dos plásticos, desses domésticos, que causa ovários policísticos.


Até adotar o crudivorismo e o jejum a base de água, sofri com os sintomas dos ovários policísticos, ciclo menstrual extremamente irregular, oleosidade na pele, etc e. agora, estou mudando os meus recipientes de casa para os de vidro - é reciclável e não é tóxico como o plástico.


Ainda não consigo ter acesso a uma alimentação 100% orgânica, porque o Brasil, hoje, é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Essa é uma luta que, nós como cidadãos, teremos que enfrentar com insistência. Sobre esse assunto, recomendo o documentário "O Veneno está na Mesa" - é um panorama assustador que causa doenças autoimune (como a esclerose múltipla), câncer e outras desordens como a má formação fetal.

 

 

 
Como é a minha velhice? 

Uso bengala. A minha movimentação é notavelmente reduzida. Tenho uma fala com pouca energia e limitada, por isso, não consigo realizar uma conversa mais completa com as pessoas. 

Sinto impotência para lidar com tanta ignorância que, hoje, é a base da nossa cultura como é a exploração animal massiva - sei que traz muitos prejuízos, tantos aos animais abatidos, quanto a nós mesmos.


A própria doença autoimune seja qual for, como a diabetes tipo 1, é uma demonstração de envelhecimento no nível celular. Há erros sendo cometidos no nível do DNA, porque a célula recebeu muitas toxinas e não foi nutrida por longos períodos.



Felizmente, não estou com rugas

Mas há pessoas de minha geração com rugas.

Muitos da minha geração estão com diabetes, câncer, hipertensão, obesidade e uma parcela considerável já morreu por complicações dessas doenças crônicas - doenças consideradas, alguns anos antes, pertencentes a terceira idade.

Crescemos com a comida industrializada na mesa, muitos de nós sofrem com os efeitos do envelhecimento precoce (que não se restringe a uma mera aparência).



 

Bom, era isso que gostaria de comentar. Foi um pequeno desabafo também.

 

2 comentários:

  1. Oieee, passando para deixar um grande beijo.

    http://as-coisas-mais-doces.blogspot.com/

    ResponderExcluir